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Capitão Zinho – Um herói dos estudantes
Era uma vez, na cidade de Alfabetacity morava uma família com dois meninos, Zinho e Zuca (gêmeos de 12 anos) e a menina Zica (de 14 anos). Zinho era estudioso, mas Zuca e Zica não gostavam de estudar. Zuca vivia jogando bola na rua, e Zica só vivia brincando na internet.  Zinho gostava de prender passarinhos.
No começo do ano letivo, numa manhã de domingo, Zinho foi ao quintal de casa ver se o alçapão em cima da árvore pegara algum passarinho, mas ao subir, ouviu uma voz:
- Pra quê quer prender os bichinhos? Eles ficam tristes.
No susto Zinho perguntou:
- Você é um passarinho falando comigo?
- Claro seu bobão!
Zinho pediu perdão. O pássaro disse que o seu nome era Tevibem, mas para amigos era Zaap Zaap, que disse:
- Pegue a pedra azul que está dentro do seu alçapão.
Curioso, Zinho pegou a pedrinha no formato de uma pera, com uma pontinha parecendo o bico de uma caneta. O passarinho explicou:
- Essa pedra mágica de ajuda tem o nome de Ebenezer, e você foi escolhido para ser o capitão dos estudos nesta cidade. Um segredo é que ela só funciona com você. Ajude nos estudos, escrevendo o nome de cada um num papel e jogue dentro do alçapão aqui na árvore.
- Humm que bom! - falou Zinho.
- A tinta mágica só vai durar um ano. Se fizer tudo certo, poderá receber outra pedra no próximo ano. Para falar comigo suba nesta árvore e chame baixinho: “Zaap Zaap, cadê você?”.
Zinho poderia ajudar, inclusive, o vizinho e preguiçoso Cecílio de 15 anos, atrasado nos estudos na mesma sala de aula, pois ficava o dia todo brincando numa Lan House.
Zinho escreveu num papel os nomes de Zuca e Zica e colocou no alçapão, sem falar com ninguém do seu segredo.
Na escola, o professor Sabiá pediu o dever de casa de todos, e para surpresa geral, Zuca e Zica fizeram bem as tarefas, sendo elogiados pelo professor:
Zuca falou que passou a gostar de estudar, e que só iria jogar bola na rua depois das tarefas.
Zica disse que não sabia que o celular atrapalhava tanto os estudos, e que agora só iria usar com as amigas depois de fazer as tarefas. O professou elogiou:
- Vejam que exemplo! Vamos mudar também?
Muitos alunos deram risada da cara do professor.
- Eu acho que Cecílio também vai melhorar os estudos. – Disse o Capitão Zinho.
- Tá louco, meu? Tem muitas pessoas ricas com pagode e bola. Quero é ostentação e preguiça! – Gritou Cecílio.
Em casa, no alçapão, o Capitão Zinho colocou o nome daquele Preguicilio. Falando baixinho no meio da folhagem em cima da árvore:
- Zaap Zaap, cadê você?
- Olá Capitão! – Respondeu o passarinho.
- Rapaz, foi um sucesso na escola. Meus irmãos fizeram as tarefas. Obrigado, viu? O papel com os nomes dos meus irmãos sumiu.
- Ora, ora! Eu levei no bico ao Senhor das letras, dos sonhos e dos estudos. É ele que atende a gente.
Na mesa antes do almoço, a mãe dona Pomba pediu uma oração. Zinho falou:
- Senhor das letras, dos sonhos e dos estudos, obrigado pelo alimento de casa e da escola.
O pai Mandarim não entendeu, mas disse: Amém!
Na próxima semana iria começar o período de provas. Todos deveriam estudar.
No dia seguinte, o professor Sabiá pediu as tarefas de Cecílio:
- Aqui está professor, tudo pronto. Ontem nem fui brincar na Lan House.
Todos ficaram surpresos com o preguiçoso, mas o Capitão Zinho tentou explicar:
- Professor, parece que estamos querendo estudar mais, não é?
- Sim, mas ainda existem alguns que não estão estudando como deviam. As notas das provas do mês passado já estão colocadas no mural da escola. Vejamos se neste mês vão melhorar.
Capitão Zinho foi ao mural e anotou os nomes dos cinco piores alunos e levou para o alçapão. Fez assim até completar a relação de todos. As notas foram melhorando
Na semana das provas, todos os nomes já estavam no alçapão. Os resultados surpreenderam e no final do ano a turma foi premiada pela diretoria da escola.
Já em casa, o Capitão Zinho subiu na árvore novamente e chamou:
- Zaap Zaap, cadê você? - O Capitão estava muito animado.
- Então, terminamos o ano bem? Como está a pedrinha, ainda tem tinta? - Perguntou o passarinho.
- Terminou muito bem e ainda restou um pouco de tinta. Todos estão felizes com as notas e estudos. Quando todos entenderam que precisavam estudar para ser alguém na vida, não foi mais preciso usar a tinta da pedrinha.
- Pois é assim mesmo. Quando a pessoa entende que uma prática é importante para ela, passa a fazer sem ninguém mandar. Do mesmo jeito que isso serve para o bem, também pode funcionar para o mal. Essa é a época de entender que o estudo é a saída para alcançar o futuro de uma vida digna, sem precisar colocar mais o nome dentro de nenhum alçapão.
Capitão Zinho perguntou:
- No próximo ano, terei nova pedra para ajudar a outras pessoas?
- Sim. Terá outras pedras, sempre que precisar, pois os estudos não param. Pode ser até que o Capitão precise voar, e para isso deverá possuir novos poderes. Mas vamos deixar essas coisas para uma próxima história do Capitão Zinho, o grande Herói que trata os estudos com carinho.
João Bosco do Nordeste
Enviado por João Bosco do Nordeste em 21/03/2015
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