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O som e a Fúria - Faulkner
William Cuthbert Faulkner nasceu em New Albany, em 25/09/1897 e faleceu em Byhalia, em 06/07/1962.
Escrito em 1928 e publicado em 1929, o livro O som e a fúria narra a decadência da família Compson, da cidade de Jefferson, Mississipi, que corresponde ao Condado de Lafayette, cuja cidade Oxford, serviu de modelo para Yoknapatawpha (cidade imaginária). A decadência também é a do próprio Sul dos Estados Unidos, no período do pós-guerra civil. Foi o seu quarto romance e a sua primeira obra-prima.
A família é composta pelo pai, Jason, a mãe Caroline e os irmãos Candy,
Quentin, Jason e Benjy. Há ainda o tio Maury e a filha de Candy, também chamada Quentin. O filho mais novo, Benjy tinha o nome de Maury, mas quando a família descobre ainda em criança que ele tem um retardo mental, muda seu nome para Benjamin (nome bíblico).
Acompanha os Compson outra família durante o enredo da trama ao longo do livro, que é composta de negros serviçais dos Compson, tendo Dilsey como figura importante e testemunha do processo de degradação dos brancos, ocorrido pelo egoísmo, orgulho, ódio e ressentimento.
Os três primeiros capítulos são narrados por Benjy, Quentin e Jason (cabeças de três pessoas completamente diferentes). No último o narrador é omnisciente.
O narrador que abre o romance é Benjy Compson, um retardado mental de 33 anos, irmão mais novo de Caddy.
Quentin Compson é o narrador da segunda seção, que decorre em 1910, com um recuo de 18 anos no tempo, passando a assistir o nascimento da sexualidade da irmã Caddy, como um sinal da ruína moral da família.
No terceiro capítulo, o narrador é Jason, o irmão imoral e sádico, é que o leitor começa a fechar o quebra cabeça, ficando clara a doença de Benjy e que as palavras de Quentin são escritas no dia do suicídio de Benjy. Jason é mais preocupado com o presente do que com o passado.
No último o narrador é omnisciente dá particular destaque à criada negra, Dilsey, uma personagem de olhar lúcido sobre a vida e o destino.
O amor no livro surge na pessoa de Caddy Compson, que deixa a família quando rouba o seu tio e foge com um artista de circo. A sua saída de casa é prenúncio do fim. Ela tem uma filha com o nome de Quentin.
O livro passa a importância da dimensão da narrativa até no nome: Em Macbeth, Shakespeare escreve que a vida é “uma história cheia de som e fúria, contada por um idiota e que não significa nada”.
William Faulkner é americano comparado a Guimarães Rosa brasileiro. Ou seja: ou você ama ou você não precisa dele. O enredo é complexo e requer disposição do leitor, pois a narrativa não é linear, mas a leitura é muito compensadora e estimulante.
Portanto, Faulkner quer um tempo da mente do leitor, para que reflita sobre o que se passa na mente das personagens.
João Bosco do Nordeste
Enviado por João Bosco do Nordeste em 29/12/2017
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