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O Acre por dois cavalos?
Se o governo Evo Morales, da Bolívia, pudesse denunciar o tratado de Petrópolis, poderá desfazer a venda do Acre ao Brasil ao preço de um cavalo?
Vamos contar um pouco dessa história, voltando no tempo:
Sabemos que estado do Acre era propriedade da Bolívia desde 1750, mas os seringueiros do Brasil subiam o rio Purus povoando a região.
Em 1846 a Bolívia, percebeu que não teria como escoar a produção de borracha, a não ser levando para o Oceano Atlântico, precisando subir os rios Mamoré, em solo boliviano, e Madeira, no Brasil, mas nos rios vinte cachoeiras impediam a navegação.
República Porto Acre  - Em 1898, após a independência da América Latina, o Brasil reconheceu que o território pertencia a Bolívia, que enviou tropas para ocupação da área, causando revolta armada com os colonos brasileiros e também contou com o apoio do Estado do Amazonas, oportunidade na qual o governador Ramalho Júnior organizou reforço de tropas e proclamaram a República Porto Acre, em 14 de julho de 1899, forçando a retirada dos bolivianos da região, mas o governo brasileiro em 15 de março de 1900 ainda reconhecia a região como território boliviano, e enviou tropas que dissolveram aquela República, facilitando que a Bolívia voltasse a tentar ocupar a região, mas foram impedidos pelos brasileiros que ainda estavam no local.
Segunda República do Acre - O então governador do Amazonas, Silvério Neri, deu apoio aos brasileiros e que enviou uma nova expedição denominada “Expedição dos Poetas”, quando proclamaram a Segunda República do Acre, em novembro de 1900, revoltando os bolivianos com tropas militares e acabou com a aquela segunda República um mês depois.
Em 1901 os bolivianos arrendaram a área à Bolivian Syndicate, uma companhia de capital estrangeiro anglo-americano
Terceira República do Acre - Em 6 de agosto de 1902, o coronel Plácido de Castro foi enviado para o Acre pelo governador do Estado do Amazonas e iniciou a Revolução Acreana tomando toda a região, implantando a Terceira República do Acre, daquela vez com o total apoio do presidente do Brasil, Rodrigues Alves e do ministro Barão do Rio Branco, que evitou novos conflitos intermediando um acordo entre o Brasil e a Bolívia, que ficou conhecido como o Tratado de Petrópolis.

O que foi o Tratado de Petrópolis?

A Bolívia vendeu o Acre, em 1903, assinando o tratado, recebendo partes dos territórios do Mato Grosso e dois milhões de libras esterlinas (em torno de R$ 630 milhões), com o compromisso do Brasil construir a ferrovia Madeira-Mamoré às margens dos rios Mamoré e Madeira, em Rondônia, que ao ser finalizada, teria 364 Km de extensão.
A licitação ocorreu em 1905, sendo as obras iniciadas em 1907 e concluídas em 1912.
O acordo foi intermediado pelo barão do Rio Branco e acabou com os conflitos entre brasileiros e autoridades bolivianas, pois além da questão territorial, o Brasil tinha interesse no látex, como fonte milionária de matéria prima para a indústria mundial da borracha
Ficou acertado de que a Bolívia abriria mão do estado do Acre, indenizando à Bolivian Syndicate pela rescisão do contrato de arrendamento firmado em 1901, devido a látex extraída da região sob o seu controle. Foram entregues também dois cavalos brancos como presentes do governo brasileiro ao presidente José Manuel Pando, da Bolívia, selando a amizade entre os dois povos.
O conflito terminou de forma amigável em 17 de novembro de 1903, com a assinatura do Tratado de Petrópolis – cidade do Rio de Janeiro, entre os governos do Brasil e da Bolívia, quando o Brasil recebeu a posse definitiva do território do Acre, cedido pela Bolívia, não constando no tratado o registro dos dois cavalos brancos.
Foi formalizada a permuta de territórios do Brasil - faixa de terra entre os rios Madeira e Abunã, e a Bolívia - território atual do Acre, comprometendo-se a construir a Estrada de ferro Madeira-Mamoré, para escoar a produção boliviana pelo rio Amazonas.
Em guerra contra o Chile, a Bolívia havia perdido o acesso ao oceano Pacífico, constando então dois artigos no tratado que obrigava o estabelecimento de acordo de comércio e navegação para a Bolívia pudesse usar os rios brasileiros e alcançar o oceano Atlântico.
Portanto, o Acre não foi comprado pelo preço de dois cavalos, pois desde o século XIX, sempre foi um território mais brasileiro que boliviano, quando migrantes nordestinos ocuparam e trabalharam na área na extração da borracha, ainda naquela época oficialmente de propriedade da Bolívia, mas sem exercer nenhum controle físico da região. Após vários conflitos e mortes, os seringueiros brasileiros não aceitaram ficar sem o território, aumentando as tensões e os conflitos, forçando o governo brasileiro adotar medidas que ficar com aquele território, que foi a última área incorporada ao solo brasileiro definitivamente somente em 1904.
Apenas em 1962, durante o governo do Presidente João Goulart, é que o Acre foi elevado à condição de Estado, com as cores da bandeira em verde - representa as matas; amarelo - as riquezas minerais; e o vermelho - homenagem ao sangue dos brasileiros mortos durante os conflitos.
Forte abraço aos acreanos, que souberam preservar esse rico pedaço de mundo para o Brasil.
Boscodonordeste
Enviado por Boscodonordeste em 14/01/2018
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