Boscodonordeste

PARABAIANO - Paraibano criado na Bahia, colocando letras em movimento

Textos

O filho de Papai Noel
Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel, mas agora eu sei que somente eu sou. Não acredita? Então eu vou contar.
Meu nome é Marozinho – Maroel de dona Maria. Eu tenho sete anos e moro na cidade de Literacity, no bairro da cultura, pertinho da biblioteca. Quando era pequeno – sim porque agora sou grande, não é? Quando eu tinha dois aninhos, e perto de fazer três, estava sentado no berço e comecei a ouvir a voz de minha mãe dizendo “Noel, cadê os presentes?”. “Noel, quem botou isso aqui!” Era uma manhã do mês de dezembro e eu não sabia quem ela estava chamando, mas naquela manhã eu não sei por que, eu queria receber o meu presente de Natal no cantinho do meu bercinho.
Mas quem seria aquele “Noel” que a minha mãe chamava? Desde aquela época eu procuro esse velhinho barbudo com idade de ser meu avô, que a gente só vê na TV, no zap, nas portas das lojas e no shopping.
A cada ano passado eu perguntava a minha mãe se Papai Noel realmente existia, quando eu fiz seis anos ela me explicou o seguinte:
-  Meu filho, Papai Noel é o seu pai. – Vixe! Pirei.
Meu pai era novo, de cabelo preto, não tinha nem barba, e não dava para ser aquele velho de barba comprida e branca. Claro que não era ele e então eu briguei:
- Como assim mamãe? – Eu não aceito - O seu nome é Maria e o do meu pai é Manoel e ele não tem barba branca e grande e nem fica na tv nem nas portas das lojas e nem no Shopping no Natal.
Ela tentou explicar mais uma vez.
- Sabe o que é?  Um dia quando você nasceu uma luz azul entrou no meu quarto e uma voz de uma fada me disse “esse menino vai ser o orgulho do seu papai Noel. Se ele ficar bonzinho e obediente, estudar direitinho na escola e não der trabalho aos professores, todo ano o papai Noel vai lhe dar presentes”.
Aquilo girava na minha cabeça como um peão, sempre que iria chegando a época do Natal, e desde os quatro anos eu já vou para a escolinha, aprendendo a alfabetização sem dar muito trabalho aos professores, só de vez em quando. Hoje aos sete anos muitos coleguinhas na escola falam que é mentira, que eu não sou filho de Papai Noel, e que Papai Noel não tem filhos. Outros dizem que todo mundo é filho de Papai Noel. Pense numa maluquice!  
Agora estava chegando o Natal novamente. Lojas coloridas, shoppings cheios de pessoas andando com sacolas, luzes brilhando à noite, e já vejo até algumas casas com umas luzinhas coloridas piscando, dizem que o nome é pisca-pisca, acendendo e apagando sem parar. Neste ano agora eu vou saber definitivamente sobre a minha dúvida, pois uma pessoa com sete anos já sabe tudo da vida e das coisas do mundo, é só olhar no gúgu da internet.
Foi então que e puxei a minha mãe pelo braço e levei até o meu quarto, arrumado com apenas uma cama, um guarda roupa e uns brinquedos num canto, que restaram ainda “vivos” dos meus sete aniversários e natais.
- Mãe, venha aqui, a senhora me disse que Papai Noel era meu pai, mas na escola todo mundo fala que a senhora está mentindo, somente a professora Aussssiliadora diz que a senhora fala a verdade. Será que nesse ano eu vou ganhar presente de novo?
- Vai ganhar presente sim. Seu papai Noel não falta com as crianças que não dão trabalho. A sua pró Auxiliadora está certa, pois a mãe não pode mentir para o filho. Aquela luzinha azul da Fada também não mente, e ela prometeu que você vai ter tudo de bom, se você for um menino bom.
- Então por que as pessoas dizem que é mentira? – Eu voltei a insistir.
- Vamos lá e então me diga algum nome de pai dos seus colegas, que às vezes aparecem na festa do dia dos pais, por exemplo.
- Não sei muito os nomes, mas tem um que se chama Joãozito, outro é seu Benedito, e tem um lá que o nome parece que é Sebastião.  
- Tá vendo, ninguém chama pelo nome. Joãozito todo mundo chama de João, Benedito chama de Bené e Sebastião chama de Tião.
- Parece que é mesmo, mãe. Eu acho que é assim que eles chamam lá na escola.
Ela se animou e me chamou.
- Vamos arrumar a sua farda, pois hoje será o encerramento da escola, e vai ter uma festa, com música, brincadeiras e muitos doces e sucos de Natal, mas eu não sei se vai ter a presença de um Papai Noel. Eu e o seu pai também vamos.
Eu me alegrei, tomei banho e me arrumei todo, o meu pai chegou com o carro e fomos para a escola. Chegando lá estava tudo enfeitado, muita música e todos os alunos chegando, mas nada de Papai Noel. Conversa vai, conversa vem, meu pai fala com uns amigos e a minha mãe fala com as amigas, mas a minha mãe não largava a minha mão de jeito nenhum, pois havia muita correria de crianças mais velhas no pátio. Minha mãe chamou alguém e perguntou se teria Papai Noel, mas a professora falou alguma coisa no ouvido dela, e como estava com muito barulho eu não ouvi direito o que ela disse. Passado uns instantes, eu não me contive e perguntei a ela:
- Mãe, vai ter Papai Noel na festa? – A professora havia dito a ela que não iria ter Papai Noel, porque ainda faltava quase um mês para o Natal e a diretoria da escola não quis trazer.
Qual foi a minha surpresa, quando alguém chegou perto de nós e gritou:
- Noel! Noel! – eu fiquei curioso para saber quem ele estava chamando, quando se aproximou do meu pai e deu um abraço dizendo que estava com saudades.... Por um momento eu parei ... pensei e cochichei no ouvido da minha mãe:
- Mamãe, Noel é o meu Pai Manoel? Então eu sou o filho de Papai Noel?
- Alguém duvida?
Eu sorri muito e sei que até o fim da minha vida eu terei certeza de que meu papai Noel existe mesmo.
Boscodonordeste
Enviado por Boscodonordeste em 14/01/2018
Alterado em 15/01/2018
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (João Bosco do Nordeste). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras