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PARABAIANO - Paraibano criado na Bahia, colocando letras em movimento

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O Celular dedo duro
Nos anos 90, numa cidade do interior onde estava chegando o celular, todo mundo recebia com a maior surpresa, sem saber direito como usar.
Foi o caso de um daqueles maridos coroas metidos a namorador, que estava com o seu celular tijolão num bar à noite, quando conheceu uma mulher gostosa solteirona da zona -  gostosona, flertou e chamou para um motel. Esqueceu-se da esposa que era muito ciumenta e desconfiava do menor movimento do marido, mesmo após 20 anos de casados.
Ao chegar no motel foi uma alegria, bebidas, conversas e entretenimentos. O celular tijolão ali, no bolso do alforje ou blusão do fazendeiro Arnaldo.
Em certo momento do bem bom o telefone tocou. Trinlinlin!!!
- O quê é isso? Será que é a minha mulher. Eu acho que ela já sabe desse número, deve ter anotado. Não é possível que a minha mulher sabe onde estou. Como é que ela me encontrou? Quando ela está retada não me chama pelo nome. – comentou com a companheira de cama, mesa e banho ali ao lado.
Deixou tocar até parar, pensando o que fazer. Naquela hora nem os juros ou a inflação sobe.
Para relaxar, deu três goladas na caipirinha, respirou, vestiu a cueca, sentou na cadeira num canto do quarto, botou a mão direita no queixo.
- E agora?
No meio dessa angústia, o celular toca novamente e amante manda ele atender.
- Atende homem! Essa mulher chata vai ficar ligando de vez em quando. Veja se é ela mesmo.
- Alô! - Diz ele, todo desconfiado.
- Atraparnaldo! - Gritou a mulher. Que negócio é esse de não atender o celular só porque você está numa boa?
- “Vixe! Me chamou com o nome quando está retada. – pensou com seus botões”.
- Perdão mulher, eu estou dirigindo. – Tentou jogar um “agá” na mulher, que reagiu brilhantemente:
- No carro o quê seu malandro? Pensa que eu sou idiota? Buzine o carro agora. Agora!  Eu falei agora!!! Não corra para entrar no carro. Já estou sacando tudo. Não buzinou, não foi? Quando chegar em casa você vai ver.
- Perdoa tesouro! Eu não sei como você me achou aqui no motel. Eu não sabia que esse celular era dedo duro. Quando chegar em casa a gente conversa, viu? Vou jogar esse miserável fora.
Quando chegou em casa, o pau quebrou, claro. Desde aquele tempo o celular já aprontava, imagina nos tempos atuais quando foi criado o cão do inferno chamado de WhatZapp.

Conclusão: Essa história pode até ser verossímil, mas vamos deixar como ficção. Nesse caso, precisa sempre que os amigos interfiram e ajudem a solucionar o trauma deixado pela tecnologia, e não prejudique outros momentos de lazer com a mulher.
João Bosco do Nordeste
Enviado por João Bosco do Nordeste em 30/05/2018
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