Boscodonordeste

PARABAIANO - Paraibano criado na Bahia, colocando letras em movimento

Textos

PEREBINHA II – Uma criança lambança da roça.
Na rádio Quionda, da cidade de Literacity, tem um programa que entrevista sempre crianças de escola públicas.

O LOCUTOR:
- Temos aqui o nosso convidado especial. Ele é o menino Perebinha. Que apelido esquisito.

PEREBINHA
- Olá seu locuteiro! Perebinha não é apelido, é meu nome mesmo. Tenho 12 anos e sou Filho de seu Pereira e dona Binha. Ficou Pere e Binha. Entendeu?

O LOCUTOR:
- Sou locutor e não locuteiro. Eu soube que você nessa idade já faz poesia. É verdade?

PEREBINHA
Sei fazer sim. Quer ver? Olhe só:
- Se o galo canta e o macaco assobia, por que o jegue não entra no buraco da Gia?

O LOCUTOR:
- Menino, que maluquice é essa? Isso nunca foi poesia! Fale outra.

PEREBINHA
Tá bom, o senhor não entendeu.
- Eu gosto de uma menina e não quero que ninguém pegue, se ela não me queria, então porque roubou o meu jegue?

O LOCUTOR:
- Miserável! Quem lhe disse que isso é poesia? Não tem pé e nem tem cabeça.
Você não tem outra poesia não?

PEREBINHA
A poesia tem pé e cabeça, sim. Já vi que o senhor não entende de poesia. Vou falar uma poesia grande. Então lá vai:
- Um dia eu estava escondido, atrás de uma bananeira, poderia estar cavando, ou fazendo outra besteira.
Quando eu saí de lá com o olho arregalado, vi que aquele meu calção estava todo rasgado.
Foi então que Sinhá Zefinha, correndo com um pau na mão, disse muito agoniada, sai pra lá ó seu cascão!
Desse dia eu não esqueço, corri para o riacho e a ponte velha caiu, quem não gostou da poesia vá tomar banho no rio.

O LOCUTOR:
- Êpa rapazinho! Fiquei com medo do final. Você quase falou um palavrão. Aqui não pode.

PEREBINHA
É a sua cabeça que é poluída e cheia de bobagem. Vou falar outra poesia:
- Entrei com a minha canoa no rio Paraguassu ...

O LOCUTOR:
- Para Rapaz!!! Olha lá o que você vai dizer...

PEREBINHA
Pode deixar. Deixe eu continuar.
- Entrei com a minha canoa no rio Paraguassu ...Na canoa não chupei umbu, porque só tinha jaboticaba.

O LOCUTOR:
- Epa! Agora piorou, pois não tem nenhuma rima a canoa com a rima de jaboticaba com umbu.

PEREBINHA
Espere aí. Vou continuar:
- A canoa era minha, e eu gosto de umbu, quem não gostar da história vá tomar suco de caju.

O LOCUTOR:
Êpaaaaaaaa! Enlouqueceu?
Vai embora daqui seu cabeça de vento, some daqui seu pestilento!

PEREBINHA
Pestilento é que eu não sou, quem disse foi minha tia. Faço quadrinhas malucas, muito melhor do que outras poesias. Thau!!

(Obs: toda semana teremos uma historinha dessas aqui no nosso cantinho do Recanto das Letras. Veja essa outra:
https://www.recantodasletras.com.br/humor/6460309 )
João Bosco do Nordeste
Enviado por João Bosco do Nordeste em 04/10/2018
Alterado em 12/11/2018
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