João Bosco do Nordeste
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Textos
Moacyr Franco - O Chaplin brasileiro
Existe uma pessoa que está marcando a sua passagem pela Terra com suas músicas, humor, criação, escritos e poesia, tudo feito com extrema sensibilidade. Trata-se de Moacir de Oliveira Franco, que nasceu em Minas Gerais, na cidade de Ituiutaba, em 5 de outubro de 1936. Foi criado em Uberlândia, onde se casou pela primeira vez. A sua vocação artística apareceu em 1953, quando ganhou um concurso de melhor cantor na Rádio Difusora de Uberlândia. No ano de 1966 perdeu sua primeira esposa, Vitória, mãe de Junior e Guto. Esses filhos mais velhos são como psicólogos de todos os demais, até mesmo para o pai. Guto é diretor da rede Globo e Júnior é piloto da TAM. Os outros filhos são Maria Cecília, Johnny Franco e os gêmeos Ana Helena  e Domênico, do seu casamento com Daniela Franco, que durou quase dezenove anos, até 2010.
Moacir pintava cartazes nas portas dos cinemas e trocou com o maestro o pagamento do serviço por uma oportunidade de cantar no show com a orquestra. Acertado com o maestro, começou cantando as músicas internacionais “Too young” de Nat King Cole, e Angelitos negros, de Cat Power. Nascia o cantor.
Começou a carreira artística humorista no programa: "Praça da Alegria", de Manoel de Nóbrega na TV Paulista, fazendo o papel de um mendigo. Nascia o humorista.
Quando ele gravou a música de carnaval "Me dá um Dinheiro aí", vendeu 100 mil cópias. Em 1964, Moacyr apareceu no teatro, na peça: "Como vencer na vida sem fazer força". Em 1965, juntamente com Boni, ajudou a fundar o Centro de Produções da TV Tupi. Ao mesmo tempo fazia  shows musicais e apresentava os programas "Moacyr Franco Show" e depois "A Mulher é um Show". Em 1979  foi  para a TV Tupi, e em 80 foi para  a TV Bandeirantes, onde fez programas humorísticos. Em 1982, Moacyr foi para o SBT. Em 1983 foi eleito deputado federal , pelo PTB. Em 1986 estourou com outras músicas gravadas por ele e outros cantores. Em 1999 estreou com  Gorete Milagres o seriado "Ó Coitado".  Entre 2004 e 2006 protagonizou o seriado: "Meu Cunhado", ao lado  de Ronald Golias.  Fez participações especiais nas novelas "Vende-se um Véu de Noiva", em 2009 e "Uma Rosa com Amor", de 2010. Em 2007 introduz o personagem "Jeca Gay" no programa "A Praça é Nossa".
Esse homem brincou com a vida, com as palavras e com o destino, sofrendo dessabores que o seu coração amassou, fazendo-o sofrer para que a tristeza inspirasse versos de reparo dos estragos, abrindo caixas de novas possibilidades de erros. O amor era apenas a chave de uma porta da vida, que se abre sempre depois dos nove meses.
O pai Antônio era torcedor do Palmeiras (o amor é verde) analfabeto e muito valente, marceneiro, pedreiro, caminhoneiro e mecânico. A mãe era dona de uma pensão em Uberlândia. Quando o pai sofreu um enfarto a mãe teve de pegar o caminhão para continuar a fazer entregas durante uns dois meses, puxando arroz e feijão nas estradas de chão entre as fazendas e os mercados.
Foi o artista do primeiro especial da Globo. Fez a primeira propaganda da Televisão, do café Melita. Foi protagonista da única coreografia que o Bob Force fez no Brasil, e do “Como vencer no Brasil sem fazer força”, com Procópio Ferreira e Marília Pera, num show frequentado até mesmo pelo presidente da República da época.
O amigo Silvio Caldas hospedou o garoto Moacir Franco em seu sítio, para ensinar-lhe algumas técnicas de canto. Acordava às cinco da manhã para tomar sopa.
Outro amigo durante uns quarenta anos foi o Sr. Otílio, diretor da bandeirantes, que esteve internado num hospital, mas Moacir não teve tempo de visitá-lo. O Sr. Otílio pediu no seu quarto: “se eu morrer, localize Moacir franco, e diga que ele foi o único amigo que eu tive nesta vida”.
Fábio Júnior também é um grande amigo.
Raul Gil é outro amigão, que durante sua fase de enfermidade fez do palco do seu programa por todas as semanas um altar de oração por Moacir.
Enezita Barroso em seu programa também fazia verdadeiras declarações de amor a Moacir Franco, junto com o cantor e amigo Daniel.
Outro grande amigo foi Chico Anysio, seu confidente, por isso sofreu muito com a sua morte em 23 de Março de 2012, pois com aquela morte estava também morrendo um elo da sua própria história.
Antes de 2005, quando morreu, Clovis Bornay era um amigo e junto com o irmão eram apaixonados pela música: Eu nunca mais vou te esquecer.
O amigo Zé Rodrix sugeriu para ele entregar a música “Tudo vira bosta” para Rita Lee gravar. Virou um sucesso em 2004 porque foi tema da novela “Senhora do destino”, na Globo. Depois disso, Moacir passou até a fazer palestras em universidades e escolas.
Para Jânio Quadros, candidato a governador do Estado do Estado de São Paulo, ele fez vinte shows em comícios, mas esse trabalho nunca foi pago.
Atualmente, um dos seus melhores amigos é Carlos Alberto de Nóbrega, mesmo sem andar na casa dele. Sobre Moacir ele diz que é um gênio e que se ele fosse americano, estaria arquimilionário. Segundo Carlos Alberto, Moacir é o artista mais completo da televisão brasileira.
Quando Wilson Simonal foi discriminado pelo regime militar, Moacir foi o único apresentador que o chamava para se apresentar em seu programa. Não se despreza um amigo.
O amigo humorista Canarinho sugeriu a um produtor que Moacir fazia um personagem de um mendigo engraçado no programa “Rio te adoro”. Canarinho orientou o amigo: “Tudo que perguntarem se você sabe, diga que sabe, porque aqui ninguém sabe de nada”.
Com Roberto Menescal, Moacir começou a cantar bossa nova no “beco das garrafas” e aprendeu a tocar violão, junto com Silvinha Teles.
Boni da Globo sempre foi um bom amigo. No início ele bancou as despesas de Moacir. Aprendeu tanto com o Boni, que lhe deu 15 páginas de história no livro dele. Esse é um dos seus ídolos, pois os outros são os filhos. Foi participar de um festival em Montevideo (praia de Piriápoles) com o amigo Boni, ainda pobre, que foi com uma câmera sem filme somente para acompanhar Moacir na viagem, como um cinegrafista. Alugaram uma bicicleta de dois lugares como transporte.
Silvio Santos é amigo de Moacir, do jeito dele.
Foi no Senhor Dorival, caseiro antigo da família, que Moacir se inspirou para fazer o personagem Jecagay.
Péricles do Amaral foi um grande amigo.
José Vasconcelos era um amigo humorista morto em Out-2011, esquecido.
Procópio Ferreira também foi um grande amigo.
Um compositor intuitivo, Moacir ganhou seis prêmios Roquete Pinto, e ganhou o carnaval de 1960, com a música “Me dá um dinheiro ai”.
Em 1963 deu o 1º Roquete Pinto de presente para Pelé.
Em 1963 – Instituto Gallup: Ganhou premiação até como “locutor de cabine”.
Durante todo o ano de 1971, Moacir ficou em primeiro lugar nas paradas musicais das rádios com “Balada nº 7”.
Em 2011 ganhou o Troféu Menina de Ouro de melhor ator coadjuvante no Festival de Cinema de Paulínia, pelo personagem Delegado Justo, por apenas quase três minutos, no filme O Palhaço. Ele nem sabia que estava concorrendo, por isso quando ligaram avisando só chegou depois de meia noite, quando a premiação começou às sete da noite.
Moacir e Eliana Pittman fizeram o último show de encerramento do teatro Chevalier na França.
Em Lins emocionou um padre numa missa, à medida que ele cantava.
Para Moacir, se não existissem os discos piratas, os artistas com 30 anos ou mais de carreira não seriam mais conhecidos, e a pena de morte é pouca para determinados casos.
Esse homem sério, poeta e apaixonado foi eleito Deputado, quando passou a morar em Brasília. (de 1983 a 1987). Não iria dar certo. Saiu como entrou, com sua Caravan 78 amarela, rodando mais de 400 mil quilômetros cantando em barzinhos, clubes sociais etc. Na Câmara Federal, apresentou  projeto de vagas para negros e pessoas pobres, mas os próprios representantes negros não gostaram, pois acharam o projeto paternalista.
Em 2010, Moacir foi candidato ao Senado (nº 177) e teve 411.000 votos, mas não foi eleito. A sua propaganda eleitoral de candidato pelo PSL – que ele chamou de Partido Sempre Legal, para tentar chegar aos eleitores mais jovens, que só foi ao ar um dia, era somente assim: “Quero que você me escute. O que fizemos com esse mundo? Como será o mundo do seu filho, do seu neto que vai nascer? Em que fonte ele beberá? Em que rio vai mergulhar? Em que sombra vai descansar? A quem você vai confiar o futuro da sua família?”. O candidato Paulo Skaf tomou o seu tempo na televisão.
Ele foi esquecido e não estava mais sendo inserido em nada. Amaury Júnior, por exemplo, fez uma festa para homenagear os artistas dos anos 60 e também não o chamou. Moacir resolveu fazer-lhe uma visita e questionou pedindo explicações pela falta de convite à sua pessoa, pois ele havia ganhado seis prêmios Roquete Pinto, o prêmio máximo da televisão, além de 14 Prêmios Chico Viola (como um disco de Ouro). Foi campeão do carnaval do ano de 1960. Mas Amaury não soube explicar o equívoco.
Moacir diz que passou no mínimo 40 anos só fazendo besteira, repetindo conceitos, filosofias e ideais de outras pessoas, e por isso hoje ele não está na história. Dizia "não tenho história nenhuma. Simplesmente foi esquecido".
Após ter deixado de ser deputado federal, Moacir Franco passou uns 15 anos no ostracismo. Sumiram os amigos, a televisão e o interesse das gravadoras.
Teve de se virar, viajando pelo Brasil fazendo shows em bares, casas de espetáculos e circos.
No circo Madri, em Guarulhos, cantando para apenas umas 15 pessoas, já quase à meia noite, o espetáculo acabou. Quando estava se recolhendo foi procurado por um homem por nome de Marciano (da dupla sertaneja João Mineiro e Marciano), que o cumprimentara e pedira autorização para gravar a sua música “Seu amor ainda é tudo”. Ele achou estranho que alguém ainda tivesse interesse nas músicas dele, mas disse que autorizaria.
Ao ficar sozinho no picadeiro, depois que todo mundo saiu, ele olhou para uma luz amarela em cima da lona e para uns bodes que estavam atrás dele dentro do circo, e se cobrou mais uma vez: “o que foi que você fez com você. Qual seria o próximo degrau a descer agora?” Aquilo ali era o último degrau de um buraco sem fim.
João Mineiro e Marciano gravaram o disco e venderam 2,5 milhões de cópias, ganhando oito discos de ouro.
Jesus deve ter se encontrado com Moacir num daqueles dias de extrema solidão, quando até o vento sopra contra, e à noite só acende a luz da ribalta, e deve ter dito: “Eu só quero saber, meu irmão, porque você chora tanto, e o que eu posso fazer para secar esse pranto”. Nasceu outra música maravilhosa: Ele está aqui.
Para se conservar com uma boa saúde, faz até dieta macrobiótica e a cada dois meses faz todos os exames em tratamento Ortomolecular.
Em 1970, em Santos, fez uma cirurgia plástica para tirar umas olheiras no roto, abaixo dos olhos, e quase morreu na mesa de operação, sendo reanimado, e renasceu. No dia anterior da operação no hospital entrou uma pessoa toda de branco, colocou as mãos em sua cabeça e pediu para que todos se juntassem para fazer uma oração. Depois da oração feita, disse que agora podia operar. E saiu. Alguns dias depois da cirurgia, essa mesma pessoa entrou no quarto, coloca as mãos novamente na cabeça de Moacir e agradece a Deus pelo sucesso da operação. Ao sair, Moacir não se conteve e perguntou: Ei rapaz! Quem é você? Ele respondeu: Sou um palhaço de circo. Ele deve ter pensado: “Deus tem cada forma de se manifestar!”. Mas ficou calado e o homem de branco foi embora.
Nos seus devaneios, depois da cirurgia Moacir disse que Deus não iria deixá-lo morrer naquele dia, pois ele ainda teria muito o que perder. Uma loucura de pensamento.
Em 1977 em Sorocaba ele teve um aneurisma cerebral e foi operado novamente, mas graças a Deus não ficou com sequelas. Algum tempo depois voltou a trabalhar e a gravar.
Por medo ou por precaução, passou a viver melhor, cuidando mais da saúde, sem beber ou fumar mais. Nunca havia usado drogas.
Em 08/04/2013 foi internando novamente com Amnésia Global Transitória (AGT), mas nada muito complicado.
Deve ter ouvido Charles Chaplin dizer: “A vida é maravilhosa se não se tem medo dela”.
Batalhas vencidas, Moacir continuou produzindo, interpretando, apresentando programas e sendo humorista. Isso lhe deu condições de ser aceito em várias emissoras.
Pode-se vaticinar pelas letras das suas músicas, seus pensamentos sobre o passado, o presente e o futuro, pois o poeta às vezes escreve num dia que está com dó de si mesmo. A sua mãe ensinou a rezar, para ser feliz um dia, mas a felicidade passou durante a noite em ele dormia ou perceber que não era nada. Não é dono de si nem de nada, e o coração parece que não gosta dele, por isso procura desesperadamente trazer de muito longe uma canção suave como uma oração.
No amor ele jura que ama tanto, que vive da incerteza desse amor, e não sabe por que a gente tem a tendência de gostar tanto de repente de quem não gosta da gente, e ao encontrar um novo amor espera que pelo menos desta vez não irá se enganar. Não liga para o que pensam. Não importa, por essa agora iria dar a vida em troca de nada.
A busca incessante pela felicidade conseguiu colocar tão longe dos olhos, tão perto de si, que não há um caminho que não leve a quem se ama.
Quando perdeu um novo amor, pensa que perdeu a razão, mas poeta não tem mais a razão, só age pela emoção, por isso pensa que agora é vida sem razão, porque pediu amor e lhe devolveram a saudade.
A humildade é qualidade dos fortes quando diz que não canta bem, mas que interpreta muito bem, quando na realidade o seu canto às vezes é até orfeônico. Gosta muito de cantar, mas o elogio que mais aceita é como autor, pois acha que escreve muito bem.
Reclama, e às vezes até com sentido, que a vida lhe fez estragos, porque a inteligência é loucura que se passa neste mundo, e que o que sobra no coração da gente é o amor dos filhos. Na incerteza do ser, já não sabe quem é, e o que passou, mas a lua nos espera numa rua, é só tentar.
Quando se sentiu perdido, foi procurar uma cigana e pediu para que ela tomasse as suas mãos, e aos gritos exigiu: diga logo que destino o meu Zingara! Não acreditava em nada. Ensinaram a semear, plantou rosas, fez canteiros, mas enquanto regava sementes, desmataram esse mundo inteiro. Será que desmataram também os seus sonhos? Talvez a fim de “matar” o tempo e a saudade, aprendeu até esgrima, mas nunca soube por quê.
No extremo do seu pessimismo, às vezes se definiu como um perdedor nato, ou apenas como um cego regando flores. Cadê você, cadê você? Seria ele se procurando
Mesmo tão triste, os milagres em sua vida foram acontecendo, uns contados e cantados, como no Milagre da flecha, quando nesta hora a gente grita, berra, chora e acredita que o milagre aconteceu. Se pensarmos nas cirurgias e nas inspirações artísticas, então recebeu milagre em cima de milagre.
Sobre a amizade, ele tem consciência do “vento” favorável chamado sucesso, que traz muitos amigos em sua direção, mas somente os sinceros ficam durante as intempéries. Ninguém precisa provar que é seu amigo. O seu melhor amigo é você mesmo. Conclui: “Quem te fez e te criou também sabe te ler”.
Na verbalização da sua integridade, que é outra qualidade sua destacável, disse que é duro e pobre, porque é limpo. Desde adolescente seu sonho era apenas de ter uma casa com um campo de futebol e uma família bonita e feliz morando nela, onde pudesse ouvir um coro de astronautas, de anjos e crianças bailando ao seu redor, chamando para voar.
Sua preocupação é construir uma história bonita e deixar para a família, porque corre tanto pra chegar, e quando chega fica sem saber se deve entrar.
Sempre em busca de um novo recomeço ele tem coragem, principalmente para recomeçar no amor. Ele sabe que não adianta, pois a caixa do lado esquerdo do seu peito está vazia há tempos, quando levaram o seu coração em nuvens para os cântaros da eternidade, e o amor assim, só um.
Quem dá seu coração: “Se eu tivesse o coração que dei ... Agora é vida sem razão”, passa a amar somente com a razão, o que o fez ser ainda mais sentimental, triste e solitário. Não é uma contradição? Isso o fez mais excepcionalmente extraordinário, nascendo em cada canção pétalas de rosas enfiadas em espinhos, causando impactos nas gerações atuais, em diversas situações por que passam outros apaixonados, que ao dar o coração perde a razão e sussurra pelo resto da vida: “Eu nunca mais vou te esquecer”.
Mas se fosse para recomeçar, ele faria tudo diferente, porque pensa que só fez besteiras na vida, o que não é verdade, pois ninguém tem o dom de controlar o tempo e o mundo. Mesmo assim, o pulsar das horas dá a certeza de que ainda está vivendo isso tudo, e tem gente que não teve tempo de pensar, refletir e recomeçar, pois viveu menos que ele. A atual namorada diz que ele é um moleque. Se com mais de 70 anos ainda é um moleque, é sinal de que viverá uns 300 anos. Dispara sorrindo.
O casamento de Moacir e Daniela durou quase 19 anos juntinhos, até 2010, Moacir a conheceu aos 15 anos. Foi uma vida a dois que gerou três filhos. Como na música “Me espere até amanhã”, Moacir ficou apaixonado rodopiando por aí com um tornado com o fim do relacionamento oficial. Parece uma premunição do lapso solitário que somente uma valsa de Chopin pode mandar esperar até um qualquer “amanhã” e não somente aquele “depois de hoje”.
Como não agradecê-la pelos passeios, inspirações, companhia, os três filhos maravilhosos e um palpitante amor? Ele confidencia somente para o mundo que Daniela foi a única mulher que ele não traiu. Simplesmente viver apaixonado é a receita de continuar escrevendo e bebendo da água da inspiração brotada de um coração cheio de gavetas que se abrem e se fecham para receber novas histórias. Ela seria a última mulher da sua vida? Poderia ser, mas com a gaveta aberta precisaria que ela entendesse de estrelas, pois naquele momento ela era estrela principal de sua constelação de fados, sonhos, valsas e turbilhões de encantamentos, entregues a um amor sem trégua que ama sem régua e quando segue as regras ao morto passado se entrega. Para manter-se vivo, precisa de um bom castigo, que pode vir da emoção que acende a imaginação, até quando chora no ombro de um amigo.
Na música “Questão de tempo” ele diz que o ”Seu amor foi um vendaval, e eu um cata-vento”. Deve ter sido criada para Daniela, pois para ele um casamento não resiste mais do que dois anos, mesmo não sendo contra se as pessoas querem se unir.
A vida pulsa em Daniela, com o motor ainda amaciando. Já em Moacir, a vida é feita de impulsos de um motor que já está falhando, por isso uma boa e sincera amizade é o que sai ganhando.
Os fãs de Moacir Franco ficaram positivamente chocados com o motivo da separação com Daniela Franco. Perguntaram: Como um artista de 75 anos ainda poderia estar causando ciúmes? Para alguém que encontrou 100% da felicidade, às vezes ainda é pouco, se estiver num momento de vazio existencial.
Somente quem tem muita coragem, sensibilidade e respeito pode fazer como ele fez, ao dizer em 2012, ao vivo, no programa de Eliana: “Obrigado Daniela”. Foram duas palavras que resumiu tudo.
Percebe-se que no começo da vida artística Moacir deu mais importância aos compromissos da televisão, esquecendo um pouco a sua carreira de cantor. Mas no seu processo de produção musical, com uma música censurada já em fase de gravação, em pleno regime militar, teve a ousadia, a sensibilidade e cultura suficientes para fazer outra música e lançar como refrão “Eu nunca mais vou te esquecer”, de 1970, ao lembrar os acordes de Turandot, na peça de Puccini.
Os Carlitos do nosso Chaplin estão nos personagens de o Mendigo e o Jeca gay. Tantas firulas, pulos, palhaçadas, risos e lágrimas compõem a trupe dentro desse palhaço inteligente, que escreve a vida com humor para suportar os desencantos da dor. Como ex-prisioneira, a vida é uma andorinha que quer voar, alcançar o seu destino que foge pelos dedos das mãos, mas às vezes até o destino engana a vida e traça novos caminhos destorcidos, cheios de sofrimentos, mas com aberturas de sol para o amor.
Agora a preocupação é com um futuro de 10 anos? Ou seriam cinco? Não importa. Chaplin viveu até os 88 anos. O tempo disponível já foi suficiente para convencer os filhos que ele é muito produtivo. Moacir sempre escreveu muito, além de fazer shows e participações em programas de televisão, rádio ou internet. Depois dos 70 anos ficou mais maduro e aumentou a resistência para entender mais e suportar as dores da vida. As alegrias proporcionadas pelos filhos hoje são maiores que as tristezas do passado.
Como orientou Charles Chaplin: “A persistência é o caminho do êxito”, quem ama segue por esses caminhos com responsabilidade com os filhos e netos, passando para eles a bola da vez de começar a amar, pois o coração dos mais velhos já está cansado e em pedaços. O sucesso exaspera a burrice e no auge da vida podemos ser enganados pelos puxa sacos, tornando-nos mais estúpidos.
Disse uma vez no programa do Jô que a vida passa por três fases “O Crescimento, o conhecimento e o arrependimento”. A música Milagre da flecha então é da fase do conhecimento, manifestado ao entrar numa igreja para agradecer a Deus, quando observa que está faltando uma flecha na imagem de São Sebastião.  
Ele não entende o motivo de não fazer parte da história ainda, mas é porque ainda está sendo construída. Isso é muito bom, mas reclama se tivesse feito sambas, hoje seria estátua em praças. Deve esquecer dessas agruras e permanecer “Louco, louco, louco! Foi o que lhe disseram quando ele disse que estava amando, mas só entende essa loucura quem ama enlouquecidamente. Faz do amor a água e o ar da vida, que o sustenta como escora. Sem o amor vive inseguro, falta-lhe uma parte do muro, e somente com a caneta e papel, e os dedos nas cordas de um violão podem fazê-lo sair de qualquer fossa, por mais solitária, funda ou desesperada, dando prumo naquele momento, a uma vida sem rumo.
Moacir pode ser tudo, menos perdedor, pois um imortal já se tornou um vencedor, apenas é incompreendido pelo destino, que vai colocando pedras em seu caminho, para reforçar a terra à sua frente na caminhada, perdendo às vezes alguma coisa, mas se Deus permite que isso aconteça é porque essas coisas não eram suas, e deveria mesmo devolvê-la ao dono, nem que seja o próprio mundo, porque o mundo não vai parar um só momento. Ninguém lhe tira a imortalidade, mesmo se tiver de ficar em silêncio, pois a sua obra continuará gritando na sua ausência. O povo lhe quer bem, e quando vai ao seu show às vezes é para matar a saudade de si mesmo, comprando a passagem mais barata para viajar, que é ouvir sua música. O povo junto vai ouvir o que canta, mas na verdade o que se escuta são as batidas do seu coração apaixonado, por isso é que sente junto.
Portanto, clareia a sua estrada com a luz do perdão. Saiba que a felicidade começa com “fé”, depois que tudo acabar, será um novo recomeço. É verdade sim senhor, quem me contou foi o pescador. São tantas as cartas na mesa, com verdades e franquezas, que o que se foi pra nós não voltará jamais, e isso pode gerar tristeza, depressão e infelicidade. Mas fecha-se os olhos e volta-se ao começo ao partir num dia sem pensar em voltar, mas volta, ou às vezes nem vai, pois a voz, os movimentos e os escritos são fragmentos de uma vida que ficará eternizada pelos momentos de tristezas e de alegrias registradas.
Agora qual será o seu novo objetivo?
- Fazer alguém feliz.  Responde o nosso Chaplin.

Encerro com uma quadrinha de Charles Chaplin que mais traduz o nosso Chaplin brasileiro:
“Pensamos demasiadamente.
Sentimos muito pouco.
Necessitamos mais de humildade
que de máquinas.
Mais de bondade e ternura
que de inteligência.
Sem isso, a vida se tornará violenta e
tudo se perderá”.

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ALGUMAS FONTES PESQUISADAS:

Programa De frente com Gabi, de 2011.
Programa Vida melhor, de 2012.
Programa de Eliana, de 2012.
Programa Saladanet/ Entrevista a Maura Roth, de 2013.
Programa Cultura em cena, de 2013.
http://www.moacyrtv.com.br/, acesso em 2014.
http://www.charliechaplin.com/ acesso em 2014.
João Bosco do Nordeste
Enviado por João Bosco do Nordeste em 17/09/2014
Alterado em 10/08/2018
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