João Bosco do Nordeste
Professor Mestre em Educação e Administrador empreendedor
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Textos
Fiscalizando os Fiscais do Banco
Observação: Essas frases foram retiradas de relatórios que os fiscais de um banco federal faziam e entregavam aos gerentes depois das viagens de vistoria e fiscalização das atividades rurais financiadas na década de 90, e de tão engraçadas, eu fui guardando para escrever um dia, e deixar como páginas de humor de uma época que a gente era feliz e não sabia.
(Os nomes dos funcionários serão propositadamente omitidos, pois a ideia não é expor ninguém, e sim transformar as frases em momentos lúdicos. Claro que muitas foram refeitas, a pedido das gerências das Unidades)

Nos relatórios constavam as seguintes frases:
1. Os equipamentos financiados, apesar de não estarem funcionando, estão muito bem guardados sobre as árvores;
2. Não é querendo me gabar, mas eu acho que o cliente é um cavalo;
3. Quando eu procurei o cliente para me mostrar a cerca que ainda não estava construída na fazenda, quem me apareceu foi a mulher dele para mostrar aonde ele guardava a estaca;
4. Aquele trator não está fazendo nada na fazenda. Tá lá encostado, parecendo um velho aposentado. Vai ficar com a roda enferrujada;
5. Fui ver o trabalho, mas estava tudo uma porcaria. Eu até gosto de inseminação artificial, mas daquele jeito não tem ninguém que suporte;
6. Até que ele gastou o dinheiro, Deus sabe no quê, pois o curral não está feito ainda e as vacas ficam reclamando do sol e da chuva. Coitada delas;
7. Fiscalizei um pampa (carro da época) novinho que ele desviou dos carneiros financiados. É bom chamar o cliente nos eixos;
8. Bodes que se prezam não entram num aprisco desgraçado daquele. Parece mais uma pocilga ou um galinheiro de sujeira e de poleiro. Isso pode dar bode e os animais morrerem;
9. O bicho vai pegar e o cliente não vai pagar ao banco. Ele vai dar tôco. Ainda não plantou nada e a chuva caiu. Se ele não tiver uma carta na manga, o pepino vai ficar para o gerente, e depois digam que eu sou agorento;
10. Aquela fazenda está uma beleza, a bezerrada puxou a dona, esposa do cliente;
11. O cliente morreu desde o ano passado e ainda não tinha avisado ao banco. Tomei um susto quando eu vi o filho dizendo;
12. Como é que o gerente da fazenda me oferece um carro para andar no pasto, se eu gosto é de cavalo? Se aquele cavalo tivesse me perguntado, eu teria dito, pois esse segredo eu não escondo de ninguém;
13. Cheguei às 8 horas na fazenda, Bati palmas, buzinei, gritei, chamei até as 11 horas, e ninguém.  Percebi uma fazenda abandonada e triste. Que sorte ingrata;
14. Ele pode até ter vacinado, como a carta diz, se ela está mentindo, eu não sei, só sei que chegando lá, não achei nenhum vestígio de marcas das vacinas nos animais;
15. Um curral é um curral. Um cercado é um cercado. Um galinheiro é um galinheiro. Um besta é um besta, mas eu não sou besta. Vi um cercado de bambu com muita bosta de galinha. Essa eu não engulo;
16. Já ouvi contar histórias de fantasmas, mas não vou constar nesse laudo animais que eu não vi, mesmo que digam que estavam lá. Só se fossem invisíveis.
17. Ao chegar, a mulher do cliente estava sentada naquele penhor pecuário (garantia de animais), andando alegremente na propriedade. Uma excelente égua;
18. Naquele dia o cliente não estava. Aceitei tomar um café, mas a mesa ainda estava suja do café da manhã. Desconfiei de separação. Perguntei e acertei na mosca;
19. O cliente está devendo e não vai pagar por causa da estiagem financeira que está sobrevoando a região;
20. Subi ladeira andando com todo esforço para ver o boi financiado num pasto que só cavalo subia, mas ao chegar lá em cima o bicho não recompensou com a sua ausência;
21. Estava muito lameada a estrada, pois subi, subi, subi e depois percebi que praticamente não sai do lugar. Não poso dizer o que vi;
22. Atolar até que atolei, mas o problema foi sair com o carro do atoleiro, porque depois que ele entra, fica difícil tirar sem uma mãozinha de Deus;
23. Achei tudo normal na fazenda, inclusive a falta de pedaço das vacas nelore, que naquele dia havia saído para tomar banho;
24. Se estava quente? Bota realmente quente nisso. Andamos perto do meio dia, e bota parecia de ferro e o meu sapato uma bigorna. Foi muita crista de galo. Antes fosse de cavalo;
25. Aquele cliente é desmarcado sempre que o banco avisa da nossa visita. Ele só arranja desculpa porque naquela região tem outros desmarcados, por falta de acesso às propriedades em tempo de chuva venenosa;
26. Sou favorável que ele faça tudo direitinho, mesmo ele falando que está doente, mas sou contra, se ele falecer.
27. Não é que eu queira baixar o pau, mas a madeira comprada não é aquela vendida. Quem não entende, pode até ser enganado;
28. Numa sucessão de lapsos, o engano foi a dúvida que ficou da indecisão entre a proposta da vaca e a aceitação do boi;
29. O curral estava pronto, com material de segunda, por isso o rebanho estava mal agasalhado;
30. Só porque eu disse a ele que eu iria colocar no laudo o que estava errado do seguro da lavoura, ele plantou uma corrupção em minha mão. Ficou muito chato;

(esses e muitos outras frases vão fazer parte do meu próximo livro, que será lançado no segundo semestre)
João Bosco do Nordeste
Enviado por João Bosco do Nordeste em 03/06/2015
Alterado em 06/06/2015
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