João Bosco do Nordeste
Professor Mestre em Educação e Administrador empreendedor
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Textos
Lava jato - A lama chegou de repente
Num verão, durante as férias, antes do meio dia, partiram uns trabalhadores para passear pela região da Chapada Diamantina, subindo e descendo as trilhas por entre o mato agreste e as pedras de vários riachos secos, com o tempo bastante nublado para chover.
O guia que tinha o apelido de Minismo Públeo alertou:
- Cuidado, porque por nesses rios secos passam enxurrada que vem das cabeceiras. Esse é o Riacho de Morro, está seco, mas pode chegar água a qualquer momento.
Como o tempo estava nublado lá para cima, foi dado um aviso de que poderia vir água a qualquer momento. Claro, alguns já estavam com muita água na cachola, com cara de abestalhados, como alguns turistas que se encantam com qualquer besteira, um bichinho, uma planta, umas pedras roliças um barulhinho besta qualquer ....  mas de repente alguns começaram a ouvir um barulho esquisito.
- Pode ser água! - Gritou o guia.
- Que nada! - Gritou um bestão. -  Parece que é um ronco de algum dinossauro, como num filme que assisti na semana passada. Vou fazer uma selfie quando ele passar por aqui.
Outro disse:
- Hummm! Não é nada. Parece o barulho de vídeo game que eu estou jogando aqui no meu tablet. O que acha aloprado?
- Que nada rapaz, pode ser algum helicóptero que está fazendo voos rasantes para tirar fotos. Passa aí a 51, rapaz!
- Parece o barulho da máquina de um lava jato do posto da minha rua. – Falou outro aloprado.
Muitos sentados no leito do rio continuavam ouvindo o barulho subindo e a cachaça descendo pra dentro.
Logo e muito perto começaram a ouvir o barulho aumentando e alguns gritos de pessoas que estavam na parte de cima do leito do riacho, por onde faziam as trilhas. Gritaria total quando viram na curva a tromba d’água chegando:
- É pau ! É pedra! Olha a água ! Olhe a lama ! É a lama! É a lama.
Foi um desespero total. Antes de todos saíram correndo, chegou um volume enorme de água nunca imaginado, levando várias pessoas teimosas do grupo rio abaixo, que não quiseram atender ao aviso do guia Minismo Públeo.
- Pega, pega ! - Jogavam galhos de matos e davam-se as mãos.
Não adiantaram tantos avisos de quem conhecia o ambiente, como o velho Pau de Ossi ou o senhor José de seu Dirceu.
Dos 31 que estavam no ambiente, 13 foram de água abaixo e quase todos ficaram presos nas entranhas da correnteza do Riacho de Morro aonde eu moro.
Ao ver a bagaceira, resmungou o guia da turma:
- Quem não ouve “Cuidado”, ouve “coitado”.

- Conto do autor, no Livro Rapsódia de um contador de histórias, Editora Becalete, 2018.
João Bosco do Nordeste
Enviado por João Bosco do Nordeste em 04/12/2015
Alterado em 07/01/2019
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