João Bosco do Nordeste
Professor Mestre em Educação e Administrador empreendedor
Capa Meu Diário Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livros à Venda Prêmios Livro de Visitas Contato Links
Textos
O pescador mudo
O PESCADOR MUDO

Numa colônia de pescadores da cidade de Literacity existia um mudo com uns quarenta anos de idade, empregado de um barco de pescas e cumpria todas as ordens do capitão, que gostava dele exatamente pelo fato de que ele ficava calado durante toda a pescaria, tanto em pescas nos rios, como também quando desciam para pescar no mar.
Sempre que alguém pedia para ele contar como ficou surdo, ele fazia uns gestos e explicava que foi um susto que tomou durante uma pescaria quando era criança e pescava com o pai, ao aparecer um grande peixe com óculos escuro na cara, fazendo com que ele caísse de costas em cima de várias peças do barco, batendo a cabeça no pontilhão da âncora.
O capitão contava, sem o mudo por perto, que na realidade se tratava de um peixe por nome de Miraguaia capturado em 1966, e que estava exposto no Museu Oceanográfico de uma cidade ao sul daquele país, inaugurado em 1953. Quando menino, ele deveria ter ido com o pai ao museu e visto o peixe com óculos, que foi colocado como uma brincadeira, e que até hoje continua lá, empalhado e com os óculos na cara do coitado.
Quando ele contava essa história, fazia todos os gestos apontando para o mar, levantando os braços e caindo de costas, machucando-se todo. Toda vez era assim. Tanto que o capitão pedia para que ninguém pedisse a ele para contar aquela história, coitado! Ensinou ao mudo que, quando alguém pedisse para contar a história novamente, pegasse uma banana e entregasse a ele, ou seja: “desse uma banana”. Com gestos explicava: “Dê uma banana para eles e não conte mais nada”. O mudo agradeceu e ficou emocionado com aquela consideração do capitão.
Certo dia, estava o capitão com mais dois amigos e o surdo pescando com raiva, pois passara 18 horas no mar sem pescar nada e já estava para anoitecer novamente. Ele queria extravasar a sua ira, mas sem saber como, então pensou, maldosamente:
- “Vou pedir para o mudo contar a história da sua mudez para esses amigos que ainda não sabem. Vamos dar muita rizada”.
O mudo estava deitado na frente da embarcação, na proa, pensando sobre o mundo. O capitão avisou aos dois amigos do que iria fazer. Chegou perto do mudo e fez os movimentos das mãos, pedindo para ele contar a história de quando ele ficou mudo.
O mudo tentou convencer o capitão que não queria fazer aquilo, de novo, pois iria cair e se machucar, mas o capitão insistiu. O mudo levantou-se, desceu uma escadinha para a parte de baixo do barco com um saco de papel.
Ficou de pé na frente dos três expectadores. Abriu o saco e deu uma banana a cada um dos três e queria subir novamente ao local onde estava deitado.
Claro que ninguém entendeu, mas o capitão disse:
- Seu filho de uma .... eu falei para dar banana quando os outros pedissem para você contar, e não eu.
A partir daquela data, o capitão nunca mais pediu para ele contar a tal história. O capitão mesmo contava, sem precisar se jogar no chão e nem se machucar.

Moral da história: mudo é um mudo e não um burro.

- Conto do autor, no Livro Rapsódia de um contador de histórias, Editora Becalete, 2018.
João Bosco do Nordeste
Enviado por João Bosco do Nordeste em 30/05/2018
Alterado em 27/11/2018
Comentários
Capa Meu Diário Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livros à Venda Prêmios Livro de Visitas Contato Links