João Bosco do Nordeste
Professor Mestre em Educação e Administrador empreendedor
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Textos
Carnavirus ou Coronaval? O ano é 2020.
O tema carnaval já começa polêmico, por conta da sua ligação como uma festa cristã, pois sua origem tem relação com o jejum da quaresma. Na antiguidade, lá na Babilônia, o que pode ter gerado foi a festa das Sacéias, uma celebração na qual um prisioneiro era solto e se vestia como um rei durante os festejos, mas ao final, o condenado era chicoteado e enforcado. Outra origem dá conta de que o ano novo na Mesopotâmia era comemorado pelo rei, no período próximo ao equinócio da primavera (quando a duração do dia é igual ao da noite - do Latim, aequus (igual) + nox (noite) e só ocorre duas vezes ao ano, normalmente em 21 de março e 23 de setembro naquela região). O ritual acontecia no templo de Marduk, um dos primeiros deuses mesopotâmicos), quando o rei era surrado na frente daquela estátua, para mostrar a sua submissão à divindade, mas logo após reassumia o trono. Ou seja, nos casos das duas festas ligadas ao carnaval, vê-se a subversão de papéis sociais quando um prisioneiro vira rei e um rei se humilha ao seu deus.
A parte das orgias vem das festas do deus do vinho, Baco, que para os gregos eram bacanais (dionisíacas), com muitos bêbados em pecados da carne sem vergonha.
Já em Roma, era a Saturnália, em dezembro, no solstício de inverno, quando o Sol atinge maior declinação de latitude em relação à linha do Equador. E a Lupercália, em fevereiro, o mês das divindades infernais e das purificações. Essas festas com danças, bebidas e comidas duravam dias, sempre os papéis sociais sendo invertidos temporariamente, com escravos sendo senhores e senhores sendo fantasiados de escravos.
Estando com esse cenário pronto, trazemos para os dias atuais, e vamos ver como esse vírus Coronaval está impregnado nas pessoas, e se ainda amam as inversões, neste século XXI.

Inversão 1ª - Fantasia de jumento
Foi dado o aviso da Anvisa, que um surto de doença respiratória detectado primeiro em Wuhan, na China estava prestes a chegar no Brasil. É o novo Coronavírus (ou 2019-nCoV), ainda sem origem totalmente definida, poderia ser dos frutos do mar e animais? Um número crescente de pacientes aparece sem que tivessem consumidos esses tipos de animais, indicando que pode estar passando de pessoa para pessoa.
O coronavírus é comum em animais como camelo, gado, gatos e morcegos, mas raramente poderia infectar humanos e depois passar entre pessoas como é o caso da Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS-CoV) e na Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS).
Algumas pessoas com sintomas muito graves, estão chegando ao óbito.
Os sintomas mais comuns são tosse, dificuldade para respirar, batimento das asas nasais e febre (pode não aparecer nos mais jovens, idosos, imunes suprimidos ou que tomam medicamentos para diminuir a febre). Além desse vírus, o carnaval também é um ambiente que favorece a propagação de outras doenças, como o sarampo, a Aids, tubérculos e a sífilis.    
O que ele fez? Foi na rua e comprou uma fantasia de jumento.

Inversão 2ª – Esquentando o pré-coronavírus
- São tantos blocos e tantas festas de lavagens, que não estou nem aí para nenhum vírus.
Enquanto isso, na Anvisa, os médicos e pesquisadores estão preocupados.
- Atualmente, acredita-se que os sintomas podem aparecer de 2 a 14 dia após a exposição, mas as investigações continuam em andamento pelo mundo. O pior é que ainda não temos vacina para a prevenção, por isso é urgente impedir a sua propagação.
- Nesse final de semana tem o esquenta de outro bloco. Não estou nem aí para o vírus. Minha noiva sempre me dá vale night para todos os dias dessa festa, e só apareço na quarta pela manhã. Ela sabe disso.
O serviço de saúde continuava preocupado em implementar desde medidas preventivas, na chegada, triagem e espera do atendimento dos pacientes.
- O perigo é que, ao contato próximo, em torno de um metro, com alguém potencialmente infectado, o risco está nas gotículas respiratórias. Se estiver dirigindo, deve melhorar a ventilação dentro de veículo para aumentar a troca de ar durante o transporte, além de desinfetar a superfície interna, após o transporte, usando álcool a 70%, hipoclorito de sódio ou outro desinfetante indicado. – continuavam os médicos preocupados.
Se no carnaval tiver registros de contágios ou casos suspeitos, a orientação é de notificar e encaminhar ao serviço de saúde, e se a transferência for necessária, os profissionais devem usar máscara cirúrgica, obrigatoriamente, lenços de papel (tosse, espirros, secreção nasal) e higienizar as mãos com água e sabonete líquido ou preparação alcoólica
O que ele fez? Foi nas lavagens e esquenta de blocos e compartilhou lenço, guardanapo, cachorro-quente e Hamburgues, mordendo e lambendo no sabor, para mostrar o amor.

Inversão 3ª – Bloco “Beijar nas bocas !”
- Chegando o dia da festa, caiu na folia de corpo e alma. Afinal é carnaval, e na pipoca vai até sem levar sal. Tem boca demais para beijar. Aonde ele iria encontrar coisa assim? Na igreja? Nunca.
Na TV a Anvisa orientava às equipes de saúde:
- Façam sempre a higiene das mãos, com preparação alcoólica, gorro, óculos de proteção ou protetor facial, máscara cirúrgica, avental impermeável e luvas de procedimento. Utilizar de preferência máscaras N95, FFP2, ou equivalentes, ao realizar intubação ou aspiração traqueal, ventilação não invasiva, ressuscitação cardiopulmonar, ventilação manual antes da intubação, coletas de amostras nasotraqueais.
- Eu sabia que o uso apenas de máscara cirúrgicas é insuficiente para oferecer um nível seguro de proteção, mas eles disseram que se a gente usar máscaras se não for indicação médica pode gerar custos desnecessários e pânico nas pessoas.
O carnaval Coronaval ou Carnavírus rolando, e os médicos orientavam o foliões pela TV:
- Se tossir ou espirrar, cobra o nariz e a boca com o cotovelo flexionado ou lenço de papel descartável. Evitar tocar com os dedos nas mucosas de olhos, nariz e boca. Realizar a higiene das mãos e manter os ambientes ventilados. Evitar compartilhados entre pacientes canetas, pranchetas e telefones, realizando também a limpeza e desinfecção de equipamentos e produtos para saúde que tenham sido utilizados na assistência ao paciente. Fazer sempre triagens nos postos médicos, para detectar pacientes sob suspeita.
Ele falou sussurrando:
- Ah isso tudo eu estou sabendo. Vou curtir meu carnaval, que é uma vez por ano. Thau!
Ele não teve tempo de ouvir essas orientações:
- Os foliões devem ter cuidado nos contatos pessoais com suspeitos de infecção. Não devem compartilhar bocas, seringas, línguas, pratos, copos, corpos, talheres, toalhas, roupas de cama ou outros itens com eles. Pode ser fatal.
O que ele fez? Como já estava na rua, foi para dentro e fora da corda do bloco Beijar na boca, e lascou língua pra todo lado. Onde tinha boca, pronto, era fazer como mandavam as cantoras de axé, os arrocheiros e os pagodeiros: Beijar na boca, beijar na boca, coisa louca!!!

Inversão 4ª – Bloco da Máscara da aberração
- A cada dia ele tinha de sair em bloco diferente. Muita gata, muita bebida e muitos arranhões. Faz parte.
Um pouco depois do meio dia o serviço de som dos auto falantes do carnavírus passou a divulgar mensagens de alerta:
- Nesse Carnavírus todos que estiverem com algum sintoma deve usar máscara para evitar a contaminação dos outros, que pode ser pelas gotas respiratórias. Cubram com cuidado a boca e o nariz, e os espaços entre a face e a máscara, evitando botar a mão na proteção, removendo depois sempre por trás da cabeça, sem tocá-la após o uso. Não pode ser reutilizada. As máscaras de tecido não são recomendadas, sob qualquer circunstância. Quando houver risco de exposição do profissional, usar os óculos de proteção ou protetores faciais, sem compartilhar.
O que ele fez? Como queria sair em outro bloco, vestiu a fantasia do bloco: Máscara da Aberração, e caiu na gandaia.

Inversão 5ª – Bloco dos eventuais aventais aventureiros.
- No início do quarto dia, ouviu falar que o profissional de saúde deveria usar o capote ou avental impermeável, nos casos de risco de respingos de sangue, fluidos corpóreos, secreções e excreções, em contatos com possíveis suspeitos. Pensou que era um tipo de abadá, mas claro, não era com ele, e ainda tinha o dia todo e o outro dia para soltar as feras com as gatinhas.
No meio da rua ele recebeu um folheto com umas orientações, e nessa parte do avental estava escrito:
- “O equipamento deve ser de mangas longas, punho de malha ou elástico e abertura posterior, de bom material não alergênico e resistente, e após o uso deve ser removido e descartado antes de sair do quarto do paciente ou da área de assistência, procedendo sempre a higiene das mãos, para evitar a transmissão dos vírus. Para as roupas de casos suspeitos ou confirmados, pode seguir o mesmo processo das roupas de outros pacientes em geral. Evitar que roupas usadas nos isolamentos sejam transportadas pelos tubos de queda.
O que ele fez? Ficou com medo. Isolamento? O que é isso? Ele queria usar um avental como abadá, mas parece que não deu certo.

Inversão 6ª – O bloco do isolamento registrado
- No final desse mesmo quarto dia, já muito cansado, sentou-se à frente da TV e estava passando um programa especial sobre o Carnavírus 2020. Ainda preocupado com o tal de isolamento, ouviu explicarem:
- Os casos suspeitos ou confirmados devem ser isolados, preferencialmente em quarto privativo e bem ventilado. Se o hospital não possuir esses tipos de quartos disponíveis, deve ser estabelecido o isolamento por coorte - separando uma enfermaria ou área, com distância mínima de um metro entre os leitos, evitando-se o tráfego indesejado de pessoas, ficando ali somente os profissionais de saúde responsáveis pelo isolamento.
- Já com vários sintomas que aprendeu detectar desde o primeiro dia da festa, ligou para a noiva e explicou a situação. Ela, preocupada, chamou a SAMUR, e quando chegaram ele já estava mal no sofá. A noiva chegou, mas não quis entrar no apartamento. O serviço de saúde registrou todas as informações e o levaram, isolando o apartamento com toda segurança, ajudados pelos bombeiros.  No hospital, ficou no isolamento restrito aos profissionais envolvidos na assistência direta.
O que ele fez? Nada. Já estava recolhido pela Secretaria de Saúde e foi para o Bloco do Isolamento Registrado, caladinho e com muito medo de morrer.

Inversão 7ª – Arrastão do carnavírus
Na quarta-feira de cinzas, logo cedinho, pela janela do hospital do isolamento, ele estava vendo o arrastão de Zezinho Brêu, quando o médico todo paramentado de máscara e tudo entrou no quarto dizendo:
- Queria ir infectar mais gente no arrastão?
- Deus me livre! – ele respondeu envergonhado, depois de ter visto tantos avisos na imprensa e nas redes sociais, não tomou vergonha.
O médico explicou:
- Mesmo após a sua melhora clínica, e até que haja novas informações, determinamos cuidados no seu isolamento, seguindo orientações das autoridades de saúde locais, estaduais e federais. Vai ficar um bom tempo em quarentena. Depois, quem sabe, voltará para casa.
- E minha noiva? E meu trabalho? E minha família? E as minhas curtições? Que meleca de carnaval!
O que ele fez? Chorou feito uma criança, que perde um doce para um macaco prego no zoológico.

Resíduos e conclusão:
Portanto, a transmissão é de alto risco individual, mas moderado para a comunidade. Devemos evitar aglomerações desnecessárias nesse período. Em Wuhan e outras cidades na China, até escolas, transporte público, cinemas e igrejas, por exemplo, não estão funcionando.
Todos esses resíduos devem ser enquadrados na categoria A1 da Resolução RDC/Anvisa nº 222, de 28 de março de 2018, acondicionados em saco branco leitoso, substituídos quando atingirem 2/3 de sua capacidade ou pelo menos 1 vez a cada 48 horas e identificados pelo símbolo de substância infectante, com rótulos de fundo branco, desenho e contornos pretos.
- Ali, não sei por quantos dias viu que os serviços de saúde mantêm informadas todas as equipes, designando pessoas responsáveis pela comunicação às autoridades, seguindo orientações do Ministério da Saúde.
Susto: Nesse momento ele caiu da cama e acordou louco de agonia. Carnaval tem em todos os anos, mas vida pode ser curta de até um dia.
- Que pesadelo miserável!!! Ainda bem que acordei a tempo. O carnaval já passou?
João Bosco do Nordeste
Enviado por João Bosco do Nordeste em 10/02/2020
Alterado em 12/02/2020
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